Documentário apresentado pelo matemático Marcos de Sutor, que conduz uma jornada pela história da matemática, desde suas origens nas primeiras civilizações até o legado grego. Ele explica que a matemática nasceu da busca humana por padrões e regularidades no mundo natural, e que entender seus princípios sempre foi uma questão de sobrevivência e organização social.
A jornada começa no Egito Antigo, onde a cheia do Rio Nilo exigia o registro de padrões sazonais para a agricultura e a criação de um calendário. A necessidade de administrar terras, cobrar impostos e calcular colheitas levou ao desenvolvimento de unidades de medida baseadas no corpo humano, como o palmo e o cúbito, e à criação de um sistema numérico decimal baseado nos dez dedos das mãos.
Os egípcios usavam hieróglifos para representar números — um risco para a unidade, um osso de calcanhar para dez, um rolo de corda para cem e uma flor de lótus para mil. Embora não tivessem notação posicional, eram brilhantes solucionadores de problemas, como demonstra o Papiro de Rhind, que registra métodos de multiplicação por duplicação (essencialmente binária) e problemas práticos envolvendo pães e cerveja, incluindo o desenvolvimento de frações.
O documentário destaca o Olho de Hórus como uma das primeiras representações de frações e séries geométricas, além de mostrar como os egípcios calcularam a área do círculo com um valor aproximado de pi (3,16) e usaram triângulos de 3-4-5 para obter ângulos retos perfeitos nas pirâmides, uma aplicação prática do teorema de Pitágoras muito antes dos gregos. O Papiro de Moscou também revela uma fórmula sofisticada para o volume de uma pirâmide truncada.
A narrativa segue para a Babilônia, onde os escribas registravam seus cálculos em tábuas de argila. Os babilônios usavam um sistema numérico de base 60 (sexagesimal), cuja divisibilidade tornava a aritmética mais prática — sistema que ainda usamos para medir horas e ângulos. Eles também desenvolveram uma notação posicional e foram os primeiros a usar um símbolo para representar o zero como marcador de lugar, além de resolverem equações de segundo grau com métodos geométricos.
A famosa tábua Plimpton 322 sugere que os babilônios conheciam os triplos pitagóricos e possivelmente o teorema de Pitágoras séculos antes dos gregos, além de terem calculado uma excelente aproximação da raiz quadrada de dois, um número irracional. A matemática babilônica era sofisticada e usada tanto para a astronomia quanto para a engenharia de irrigação, mas entrou em declínio com o fim do império.
O documentário termina com a chegada dos gregos, que transformaram a matemática ao introduzir o conceito de prova e dedução lógica. Pitágoras e sua escola teriam descoberto o teorema que leva seu nome, a série harmônica na música e os números irracionais. Platão fundou a Academia, valorizando a geometria como chave para entender o universo, enquanto Euclides escreveu Os Elementos, o texto matemático mais influente de todos os tempos. Arquimedes avançou no cálculo de áreas e volumes, e Hipácia, matemática e professora em Alexandria, foi brutalmente assassinada, simbolizando o fim do grande legado grego. O texto conclui anunciando que a próxima etapa da jornada será no Oriente, onde a álgebra e os números floresceriam.