Göbekli Tepe (Monte com Barriga ou Monte com Umbigo em turco), localizado no sudeste da Turquia, é um dos sítios arqueológicos mais fascinantes e antigos do mundo, datando de aproximadamente 9.500 a 8.000 a.C., durante o Neolítico Pré-Cerâmico. O local é famoso por suas estruturas circulares monumentais, que contêm grandes pilares de pedra decorados com relevos de animais selvagens e figuras antropomórficas. Esses pilares estão entre os mais antigos megálitos conhecidos, oferecendo insights valiosos sobre a religião e a iconografia pré-histórica. O sítio, que cobre uma área de 8 hectares, também inclui estruturas domésticas, cisternas e vestígios de atividades humanas, sugerindo que Göbekli Tepe não era apenas um local ritualístico, mas também um assentamento permanente.
A descoberta de Göbekli Tepe desafia as teorias tradicionais sobre o surgimento das primeiras sociedades sedentárias. Enquanto a Revolução Neolítica é frequentemente associada ao advento da agricultura, Göbekli Tepe sugere que a construção de monumentos complexos pode ter precedido a domesticação de plantas e animais. Recentes descobertas indicam que os habitantes do local processavam cereais e tinham um sistema de abastecimento de água, o que contrasta com a ideia anterior de que o sítio era apenas um santuário usado por nômades. A arquitetura e a iconografia de Göbekli Tepe são semelhantes às de outros sítios contemporâneos na região, como Karahan Tepe, indicando uma cultura compartilhada.
O sítio foi identificado pela primeira vez em 1963, mas foi apenas em 1994 que o arqueólogo alemão Klaus Schmidt reconheceu sua importância e iniciou escavações. Após a morte de Schmidt em 2014, o trabalho continuou sob a direção de Necmi Karul, em uma colaboração entre a Universidade de Istambul, o Museu de Şanlıurfa e o Instituto Arqueológico Alemão. Em 2018, Göbekli Tepe foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO, reconhecido como uma das primeiras manifestações da arquitetura monumental humana. Até 2021, apenas cerca de 10% do sítio havia sido escavado, com pesquisas geofísicas indicando a presença de pelo menos 20 grandes recintos ainda enterrados.
Localizado nas colinas de Taş Tepeler, nos contrafortes das montanhas do Tauro, Göbekli Tepe oferece uma vista ampla sobre a planície de Harran e as nascentes do rio Balikh, um afluente do Eufrates. O clima na época de sua ocupação era mais quente e úmido do que hoje, com uma paisagem de estepe aberta, rica em cereais selvagens e rebanhos de animais como gazelas e ovelhas. O local foi construído em um platô de calcário, com acesso a matérias-primas como pedra e sílex para ferramentas. Um sistema de coleta de água da chuva, composto por canais e cisternas, garantia o abastecimento de água para os habitantes.
Göbekli Tepe foi construído durante o Neolítico Pré-Cerâmico (PPN), um período que marca o início da vida em vilarejos e a transição de sociedades de caçadores-coletores para agricultores. No entanto, a transição para a agricultura foi gradual e variou entre diferentes regiões. Em Göbekli Tepe, os habitantes eram principalmente caçadores-coletores, mas também processavam cereais e viviam em assentamentos pelo menos parte do ano. Ferramentas como moedores e pilões sugerem um processamento significativo de cereais, enquanto evidências arqueozoológicas indicam a caça de gazelas em grande escala.
As estruturas de Göbekli Tepe, incluindo os pilares em forma de T, são únicas para a região de Urfa, mas compartilham semelhanças com outros sítios contemporâneos, como Nevalı Çori e Karahan Tepe. Esses pilares, muitas vezes decorados com relevos de animais, provavelmente tinham um significado ritualístico ou simbólico. A construção desses monumentos exigia um esforço comunitário significativo, sugerindo que eles desempenhavam um papel importante na coesão social das comunidades em crescimento. Além disso, a presença de grandes edifícios circulares em Göbekli Tepe e outros sítios do PPN indica que essas estruturas eram centrais para atividades comunitárias.
Göbekli Tepe continua a ser um enigma para os arqueólogos, pois sua função exata ainda não foi determinada. Embora seja frequentemente descrito como o “primeiro templo do mundo”, a presença de estruturas domésticas e evidências de processamento de cereais sugerem que o local tinha múltiplos usos. A descoberta de Göbekli Tepe revolucionou nossa compreensão do Neolítico, mostrando que a construção de monumentos complexos e a vida em comunidade podem ter precedido a agricultura. O sítio permanece uma janela fascinante para o passado, oferecendo pistas sobre as origens da civilização humana e as complexas interações entre religião, sociedade e ambiente.