Sistema operacional gratuito e de código aberto para computadores pessoais, originalmente chamado de OpenBeOS. Ele dá continuidade ao extinto BeOS e busca ser binariamente compatível com ele, embora a maior parte do código seja uma reimplementação feita pela comunidade. O projeto (haiku-os.org) teve início em 2001, é mantido pela organização sem fins lucrativos Haiku Inc. e ainda está em fase beta.
A história do Haiku começou após a compra da Be, Inc. pela Palm em agosto de 2001, o que encerrou o desenvolvimento do BeOS. No dia seguinte, Michael Phipps criou o projeto OpenBeOS para oferecer à comunidade uma alternativa livre e compatível com o sistema original. Como a Palm não liberou o código-fonte do BeOS, a equipe precisou recorrer à engenharia reversa. Em 2003, foi fundada a Haiku Inc., nos EUA, para dar suporte financeiro ao projeto.
Em 2004, o projeto realizou sua primeira conferência de desenvolvedores na América do Norte, a WalterCon, e na ocasião anunciou a mudança de nome de OpenBeOS para Haiku, evitando conflitos com marcas registradas da Palm. Na mesma época, a organização BeUnited.org passou a adotar o Haiku como sua plataforma de referência. Em 2007, houve uma apresentação no Googleplex com a presença de ex-engenheiros da Be, incluindo Jean-Louis Gassée, que manifestou apoio ao projeto.
O desenvolvimento do Haiku é feito majoritariamente com software original, com exceção da interface gráfica (Tracker e Deskbar), que foi aberta com o BeOS 5. A arquitetura modular do BeOS permitiu que cada componente fosse desenvolvido separadamente. Em 2002, foi lançada uma atualização provisória para o BeOS 5.0.3 com componentes de código aberto, e no mesmo ano o núcleo (kernel) NewOS foi adaptado para as arquiteturas x86, SuperH e PowerPC, servindo de base para o Haiku desde então.
Ao longo dos anos, diversas funcionalidades foram sendo incorporadas. Em 2005, o gerenciador de janelas app_server foi concluído; em 2006, surgiu o editor de ícones Icon-O-Matic; e em 2007, o instalador de pacotes foi criado durante o Google Summer of Code. Também foram adicionados suporte a Java, WLAN (baseado no FreeBSD) e compatibilidade com Qt4. O projeto decidiu ampliar seus objetivos, indo além da mera compatibilidade com o BeOS 5, para incluir suporte a sistemas, protocolos e hardware mais modernos.
O primeiro lançamento alfa ocorreu após sete anos de desenvolvimento. Em 2013, foi implementado um sistema de gerenciamento de pacotes, e em 2018 chegou a versão beta1, que trouxe o PackageFS e o HaikuDepot para instalação simplificada de programas. Em 2022, o Wine foi portado para o Haiku, permitindo executar aplicativos Windows. O núcleo do sistema é híbrido e modular, com suporte a multiprocessamento simétrico (SMP) e, atualmente, funciona em processadores x86 (32 e 64 bits) e RISC-V, além de haver uma versão em desenvolvimento para ARM.
A API do Haiku é orientada a objetos, escrita em C++, e segue a estrutura do BeOS, dividida em “kits” de bibliotecas. O sistema é compatível com POSIX e possui camadas de tradução para X11 e Wayland. Desde a versão beta1, inclui recursos modernos de segurança como ASLR, DEP e SMAP. O carregador inicial (boot loader) é flexível e pode funcionar com diversos sistemas de arquivos, além de permitir o chainload com outros gerenciadores de boot, como GRUB e LILO.